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November 08 2012

Ai que prazer

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler 
(...) 

Fernando: É este?
Eu: Nunca.

Fernando: Este que leu?
Eu: Jamais.

Fernando: E agora, este sim, certo?
Eu: Mal me lembro.

Fernando: Olha no espelho, diz-me o que lembra, será mais fácil.
Eu: Lembro-me uma brisa, um gosto, um pouco de prazer.

Fernando: Ok, aqui está.
Eu: Sim, é este! Li!

Fernando: Pois bem, o que quer fazer?
Eu: Reler, relembrar, sentir novamente...

Fernando: Não, liberta.
Eu: ...

Fernando: Liberta, e sentira o mesmo que sentiu quando leu.
Eu: Estará em boas mãos?

Fernando: Sim e não, as mãos não enganam, mas escolhe. As mãos podem ser perigosas ou misericordiosas.
Eu: E então?

Fernando: Liberta e vai descobrir.
Eu: Até a volta, velho amigo.

Penso: Quem sabe um dia volta, e me conta uma nova história?

Participe:













Até a próxima.

November 10 2011

Fiódor, Fiódor

Este post faz parte da 3º edição do Bookcrossing Blogueiro.

Era uma noite maravilhosa, uma dessas noites que apenas são possíveis quando somos jovens, amigo leitor. O céu estava tão cheio de estrelas, tão luminoso, que quem erguesse os olhos para ele se veria forçado a perguntar a si mesmo: será possível que sob um céu assim possam viver homens irritados e caprichosos?

Quem mora em megalópoles sempre tem essa sensação de uma noite clara, Fiódor Dostoiévski tinha essa percepção com um fenômeno comum na Europa em que, mesmo com o Sol se pondo ele permanece um pouco abaixo da linha do horizonte, deixando a noite clara, causando uma atmosfera onírica e, assim ele começa o, possivelmente único livro lúcido do autor, “Noites Brancas”.

Assim foi a minha participação na 3º edição do Bookcrossing Blogueiro. Logo que finalizada todas as tarefas do dia, ainda via minha copia de “Dostoiévski” no banco do carro. Perguntei-me em qual momento ou lugar, seria interessante deixá-lo. Quando novamente abri o primeiro capitulo do livro. O mesmo citava:





Meditando sobre senhores caprichosos e irritados, não pude impedir-me de recordar a minha própria conduta — irrepreensível, aliás — ao longo de todo esse dia. Logo pela manhã, fora atormentado por um profundo e singular aborrecimento. Subitamente afigurou-se-me que estava só, abandonado por todos, que toda a gente se afastava de mim. Seria lógico, na verdade, que perguntasse a mim mesmo: mas quem é, afinal, toda a gente? (...)

O final desta parte do livro termina com uma questão humana, muito comum no dia-a-dia. 

“Fui tomado pelo receio de me encontrar só e durante três dias inteiros errei pela cidade mergulhado numa profunda melancolia, sem nada com­preender do que se passava comigo.”

Foi quando, logo me veio um local quase descrito pelo próprio livro. Veja bem, São Paulo é uma cidade grande, e com isto, vem um potencial enorme de te fazer sentir acolhido ou solitário em suas várias maneiras de ver o mundo. Lembro de vários momentos ter pensado de maneira bem similar ao citado acima.

A região da paulista, já retratada aqui em outros textos, é um cartão postal imponente. Remete automaticamente toda a cultural paulistana ou paulista que ali passam. Está disponível para todo e qualquer pessoas, de qualquer nacionalidade. Aos seus arredores, abraça todo tipo de comércio, de lanchonete a lojas de grifes, de prédios comerciais a pequenas casas quase que escondidas. E foi justamente nesta avenida que logo as primeiras frases do texto me remeteram. Para cada pessoa, e meio ambiente alguém se lembraria de um local diferente, mas vamos lembrar o nome do personagem principal... “Sonhador”

“Durante uma das maravilhosas 'noites brancas' do verão de São Petersburgo, em que o sol praticamente não se põe, dois jovens se encontram numa ponte sobre o rio Nievá, dando início a uma história carregada de fantasia, emoção e lirismo. Nesta novela singular, publicada em 1848, Dostoiévski constrói uma atmosfera delicada e fantasmagórica, que evoca o gosto romântico da época. Nela, a própria cidade de São Petersburgo - com seus palácios e pontes, seus espaços monumentais - revela-se como personagem.”

Logo ao chegar à avenida, continuava relembrando do conto, olhava para todas as pessoas passando, de maneira rápida, alguns com emoções outros cheios de razões e muitos curiosos... Foi quando me lembrei o quanto eu realmente não me adapto ao estilo do "calçadão da Paulista". – Vamos mais devagar, povo! A vida é bela, a noite é só sua.

Seguindo pelos cartões postais já tão conhecidos, eu já tinha em mente onde deixar, na escadaria da Casa das Rosas. A escolha não foi apenas por ser um local de leituras poéticas, grandes lançamentos, obter uma história única junto à cidade ou já contar que somente bons leitores passam por ali (até porque a escadaria é bem enfrente a própria avenida), foi mais conceitual que o obvio.

Encostei o carro, deixei o livro nas escadarias e segui meu caminho.

Antes de deixar o livro, reli pela última vez a última linha:

“Um momento inteiro de felicidade! Não será isto o bastante para inundar toda uma vida?”

Confira aqui todos os participantes da 3º edição do Bookcrossing Blogueiro. Incentivado pela minha Luz de Luma. E se tiver curiosidades da minha primeira participação, o texto está aqui.

Até a próxima edição, seres pensantes!
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