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June 02 2012

1º de Junho... alguém ai se lembra?


“Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."

Gabriel Garcia Marquez

Alguém ai se lembra?

March 09 2012

Pequena evolução

"O que eu vejo não é mais que uma casca. O mais importante é invisível"...




A frase acima faz parte da literatura mundial de "O Pequeno Príncipe", atualmente em uma exposição interativa que já passou por várias cidades e agora pousa em São Paulo, você pode conferir no shopping Iguatemi Alphaville. Se gosta bastante da história, você pode ir até a loja exclusiva que fica no Iguatemi de SP, alí da Av. Faria Lima.

E o vídeo de cima é uma expressão de nossa evolução misturando percepção e um pouquinho do que aprendemos de aritmética (ou matemática, sabe-se lá como se chama hoje) nos tempos dourados de descobertas fantásticas de nossa infância. Imagino que no planetinha do pequeno, essas imagens seriam grandiosas.

A ideia é do John V. Muntean, que nada mais faz além de uma produção abstrata de três dimensões que é representada em duas quando você coloca a percepção em prática e libera um pouco de trabalho do cerebelo para interpretar a concepção proposta a partir da aplicação da luz. 

Complicado? Veja o vídeo acima.

Até a próxima, seres pensantes

November 14 2010

Táxi, Eu e Deus

Atualmente no planeta somos em aproximadamente 7 bilhões de pessoas (e contando), em nossos primeiros caminhos, vemos a luz, aprendemos a reconhecer os momentos e cada segundo de sua vida é uma experiência nova, empolgante e intrigante. Lembra quando, pela primeira vez, você sorriu ainda bebê? Pois é, seus pais lembram e em seu cérebro isto marcou tanto que até hoje você consegue sorrir. Seja por qual motivo, vamos deixando para trás essas novas experiencias mas, basicamente, porque estamos vivendo outras novas.

Ao longo da sua vida você entende que há apenas uma maneira de entender o que entra em seus pulmões, por que o céu é azul ou porque você simplesmente tem gases de vez em quando... Pelo conhecimento. Estudos! Receptores em eterno funcionamento existem em sua cabeça loucos para serem saciados de novidades...

Chega um momento da vida que você simplesmente entende o quanto isto aqui já estava errado, vê a verdade logo a frente mas percebe que você é só um SIM em meio a multidão dos NÃO. Isola-se e tenta refletir, acabando exatamente na frase-questão:

Deus existe?

Deixando de lado qualquer tipo de religião, crença ou venturas linguísticas implicatórias complicadíssimas, vamos ao que interessa. Não posso responder, simples.

Meu nível de conhecimento é baseado em todas as páginas de um livro, páginas de caderno, lousa, hieróglifos e desenhos que já vi e reconheci até então. Me saciando de todas as dúvidas que me surgem a cada momento, sempre têm esse meu oraculo a minha disposição. Esse que tem muitas formas, estilos, tamanhos, personalidades e humores diferenciados. Às vezes ele é burro que da dó, e outras vezes é meu Einstein particular. Este que falo a vós é simplesmente um livro.

Segundo Wikipedia:

"Livro é um volume transportável, composto por páginas encadernadas, contendo texto manuscrito ou impresso e/ou imagens e que forma uma publicação unitária (ou foi concebido como tal) ou a parte principal de um trabalho literário, científico ou outro."

Além deste físico e lógico explicativo, lhe digo... Um livro pode ser o que mais procura, obter o mais desejado e saciar as maiores dúvidas do seu universo particular.

Ao perceber isto o ser humano simplesmente evoluiu, conseguiu se comunicar melhor e compartilhar (!!) as palavras mais sensatas (ou não) de tudo que existe.

Você cresceu, aprendeu amadureceu mas ainda sim, não se acha digno de mover as montanhas de grandes problemas mundiais. Como lidar? Já aprendeu que a vontade e o desejo quando a dois é mais forte, imagine quando 7 bilhões pensarem similar? Sou tão apegado aos meus livros que tinha esquecido simplesmente em investir nas pessoas. Conhecimento já conquistado para compartilhar é uma dádiva de poucos. Por isto existe o projeto Bookcrossing. (leia mais aqui)

Basicamente a ideia seria você entregar um livro, um conhecimento que muito estima, ao próximo e deixar este livro livre! Deixando ele chegar à lugar diferentes, pessoas distantes, seres pensantes que podem não falar a mesma língua mas entenderá o recado do livro. No popular: Gente, como a gente, gente humana.

Você tem a oportunidade de espalhar tudo que aprendeu na vida, com um pequeno gesto. O mundo é assim, e se você é leitor assíduo entende que, o mundo sempre foi assim. Neste projeto, em versão brazuca, iniciado com Isadora, apoiado por minha Luz e todos nós, participei com um unico pensamento, estou compartilhando algo maior que meus pensamentos, um livro que me entregou um ponto de vista. Compartilhar um livro ( e não um mero link ) me daria um caminho a mais de ir além das fronteiras de telas e e-mails, chegaria as mãos de alguém. Um ser humano com as mesmas dúvidas, outros anseios e desejos, mas no mesmo sentimento de viver muito mais a vida que tem.


O livro escolhido para compartilhar é um que já passou por várias mãos em meu empréstimo, "Explicando Deus Numa Corrida de Táxi" de Paul Arden é tão simples e tão complicado ao mesmo tempo. Não pela leitura, mas por quem lê. Se você for no site do Americanas.com o verá a sessão de Religiosos, se for na Livraria Cultura, estará como Auto Ajuda e se for no Submarino o verá na sessão de Comunicação. "Mas Julio... Vem cá, o que é este livro, afinal?"


Autor: Paul Arden
Tradução: Roberto Mugiati
Editora: Intrínseca
Origem: Nacional
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 128
Compre aqui

Como citei acima as próprias pessoas que o vendem não o leu, não entendeu e não teve a mente aberta para tal. É simples, é rápido é prazeroso, e acredite, é indolor. Paul Arden examina a relação do homem com o divino de maneira objetiva, inteligente e muito rápida, no percurso de uma corrida de táxi.

Vi em alguns blogs que, por ser de Paul, estaria ali um texto de um ateu escondido por dentre as palavras inteligentes. Minha opinião sobre o livro, ele nada diz e tudo cita. rá!

Eu li, reli e ao terminar senti um abraço em meus pensamentos. Um reconhecimento de tudo que já li e percebi que continuam fazendo sentido ao meu ver. Meu caminho para esta procura simbólica de Deus continuará, mas desta vez mais desperto de que não sou o único por aqui.

Em todas as vezes que emprestei, as pessoas gostaram, cada um entendeu em seu ponto de vista, mas todos tiveram a mesma impressão ao terminar, ... Não direi qual, terá que ler!

E onde "eu esqueci"? Em um táxi, claro! Entreguei nas mãos de um taxista que me fez a seguinte pergunta - e por ventura, suas primeiras palavras para mim -: "Para onde vamos, Senhor?" Minha resposta? "É o que todos nós perguntamos nesta vida." E assim seguimos nosso caminho em um bate papo sobre o assunto.

Entreguei a ele com apenas uma restrição. Ao terminar, ele teria que entregar para uma próxima pessoa. E assim foi minha participação, lúcida, espiritualista pé no chão, curiosa e que me permitiu absorver mais este conhecimento e experiência de vida.

A ideia continua viva lá no blog da Isadora e com selinhos da Lu. Participe da próxima e, quem sabe, poderá responder suas dúvidas como nosso personagem taxista de hoje.


abs,

September 18 2010

O Happening Brasileiro

Wesley Duke Lee, morto no domingo 12, aos 78 anos, vítima de parada cardíaca decorrente de problemas respiratórios, foi sempre lembrado como o autor do primeiro happening brasileiro, O Grande Espetáculo das Artes, no João Sebastião Bar da capital paulista, em 23 de outubro de 1963.

É verdade que experimentar era sua razão de ser. Mas a atuação como pintor o tornou especial, embora um dia ele tenha duvidado do próprio sucesso nesse caminho.

Empenhado no estudo da arte em Bolzano, na Itália, depois de ter obras recusadas seguidas vezes pela Bienal Internacional de Arte de São Paulo, Duke Lee ouviu resignado, em 1960, a avaliação do pintor austríaco Karl Plattner: “Em arte, pintura, eu não sei o que acontece. Você tem a facilidade, métier, até demais, grande fantasia, mas não é quadro. As formas estão lá, rebuscadas às vezes, grande colorido, muita inteligência, mas não é quadro”.

O que lhe disse o amigo, fosse ou não um absurdo, virou sentença, a ponto de o jovem se oferecer como assistente de direção para Ingmar Bergman. O cineasta o recusou, alegadamente por ele não ser sueco. O brasileiro tinha 30 anos, descendente de norte-americanos por parte de pai, de portugueses pela linhagem materna, estudara de tudo um pouco desde a meninice, mas não sabia o que fazer. Era diferente dos outros. Não ia ao museu para ver arte, mas para “buscar mistério”.

Arte, para ele, talvez fosse um pouco como Plattner suspeitara, algo para além do quadro. Jovem, tomara para si o desígnio do pintor Paul Klee, anotado no diário em 1952, como lembra a historiadora Cacilda Teixeira da Costa em Wesley Duke Lee: “Em primeiro lugar, a arte de viver. Depois, como profissão ideal, poesia e filosofia, e como minha profissão real, a arte plástica”. Ele pagava a vida com publicidade. Sua época lhe pedia que fumasse cigarros, bebesse e elogiasse as mulheres. Em arte, seu erotismo não explicitava o sexo, antes a beleza. Ao redor do artista, formaram-se o movimento do realismo mágico e o coletivo Rex.

Sua primeira individual, de 1961, trouxe 57 trabalhos, entre têmperas, gravuras e desenhos. Trapézio, obra ambiental sobre a relação homem-mulher, foi exposta na Bienal de Veneza em 1966. The Helicóptero, arte cinética de 1969, estreou em Tóquio. Durante a Bienal de São Paulo, em 1967, fez com que o pintor Flávio de Carvalho apontasse em Wesley Duke Lee o melhor artista entre os adeptos da “nova figuração”.

Nos últimos três anos, mesmo doente com Alzheimer, evocava a proverbial rapidez de raciocínio do passado. Em 2008, durante exposição de sua obra, aproximou-se dele uma senhora, que lhe deu parabéns pelo trabalho. “Mas ele ainda não está pronto – retrucou Duke Lee –, e eu não estou com pressa.”

por Rosane Pavam
Tags: Arte Pensata

August 14 2010

Voto Obrigatório

Julio, você é a favor do voto obrigatório?

Obviamente, não. A história do voto obrigatório, que existe no Brasil, sempre me fez lembrar uma passagem do "Émile", de Rousseau, em que uma mãe espartana recebe o seu zelote e lhe pergunta se os espartanos venceram a batalha. E o zelote informa: "Todos os teus filhos foram massacrados." A mãe, furiosa, responde-lhe que não foi essa a pergunta. E quando o zelote confirma a vitória militar dos espartanos, a mãe sobe ao templo para agradecer aos deuses. Rousseau comenta apenas, em tom lacônico: "Eis uma cidadã." Quando me falam em voto obrigatório, essa espécie de "fanatismo cívico", lembro sempre a mãe espartana.

abs,

June 18 2010

José Saramago. 1922 - 2010

“Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será. (...)
Cada um de nós é por enquanto a vida. Isso nos baste.”

Morreu hoje, aos 87 anos, José Saramago, em Lanzarote, Ilhas Canárias, onde vivia com sua segunda mulher, Pilar Del Rio.

O homem que nunca foi à universidade, porque a família era pobre e não havia meios para isso.

O homem que, para sobreviver, fez um curso técnico e tornou-se serralheiro mecânico. No entanto, como tinha paixão pelas letras, passava suas noites na Biblioteca Municipal Central de Lisboa.

O homem chamado coragem nasceu em 1922 em Azinhaga, no Ribatejo, Portugal de uma família de pais e avós pobres.

O homem que foi funcionário público em Portugal, por décadas. Aos 30 anos começou a fazer traduções, para aumentar sua renda de operário. Auto didata, traduziu Baudelaire, Hegel e Tolstoi, entre outros clássicos.

O homem que publicou seu primeiro romance, Terras do Pecado, em 1947, mas só foi reconhecido como um verdadeiro escritor a partir da década de 1980, quando lançou o romance Levantado do Chão.

Depois disso, seus sucessos literários se sucederam com Memorial do convento (1982), O ano da morte de Ricardo Reis (1984), A jangada de pedra, (1986) História do cerco de Lisboa (1989) O Evangelho segundo Jesus Cristo, (1991) e Ensaio sobre a cegueira (1995) com o qual ganhou o Prémio Nobel da literatura em 1998.

Único ganhador de um Prêmio Nobel em língua portuguesa, José Saramago ajudou, com isso, a estimular as vendas de livros e a aumentar o respeito por quem escreve em português.

O homem que, com esse sucesso, fez com que vários outros autores nacionais e da comunidade de língua portuguêsa fossem descobertos e também lidos, o que estimulou os mercados de livros na nossa língua.

O homem que nunca escondeu suas ideias, brigou por elas, deixou muito claras suas posições, sem medo de críticas.

“Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma maneira bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratularmo-nos ou para pedir perdão, aliás, há quem diga que é isto a imortalidade de que tanto se fala”.

Autor versátil, ele deixou 20 romances, 3 livros de contos, 5 peças de teatro, 4 livros de crônicas, 3 livros de poesias e um de viagem. Os números, frios, nunca vão explicar a emoção da qual era carregada sua literatura, que fez chorar e rir, que espantou e acalmou, que fez pensar, enfim. “Escrevo para desassogar os meus leitores” disse Saramago em 2009.

"Sou um leitor de Saramago desde a minha adolescência. Conheço muito bem a obra dele e foi o escritor que mais me tocou até hoje", revelou. João Tordo, ganhador do Prêmio José Saramago 2009 (com o romance “As Três Vidas” Portugal). Para Tordo, Saramago foi “Um escritor que revolucionou a literatura portuguesa: há um antes e um depois de Saramago. Ele inventou um modo de escrever."

O homem que se tornou, antes e por esforço próprio, jornalista, a partir do final de década de 1960. E que trabalhou intensamente na imprensa, no Diário de Notícias, Diário de Lisboa, em A Capital e no Jornal do Fundão, todos portugueses.

Em 1975 foi, por alguns meses, diretor-adjunto do "Diário de Notícias". Essa função foi o ponto alto do seu percurso jornalístico e seria fundamental para o seu regresso à literatura e ao romance.. Demitido, decidiu que transformaria a sua vida: seria um escritor em tempo integral.

Ele só seria reconhecido como tal três décadas depois de “Terras do Pecado”. Por essa época (1977) surgiu a primeira obra do Saramago exclusivamente escritor: Manual de Pintura e Caligrafia

O homem que falava da morte como fim único, pois era ateu. Mas falava da morte sem temor.

“Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais”.

O homem que escreveu em seu blog, ainda na semana passada: “Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro”.

"Escritor de projecção mundial, justamente galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago será sempre uma figura de referência da nossa cultura. Em nome dos Portugueses e em meu nome pessoal, presto homenagem à memória de José Saramago, cuja vasta obra literária deve ser lida e conhecida pelas gerações futuras. À Família do escritor, endereço as minhas mais sentidas condolências", lê-se numa nota publicada no site da Presidência da República de Portugual, Cavaco Silva.

Morreu José Saramago. Foi ele mesmo quem disse: “Há coisas que nunca se poderão explicar por palavras.”

Obras Publicadas

Poesias
Os poemas possíveis, 1966
Provavelmente alegria, 1970
O ano de 1993, 1975
Crônicas
Deste mundo e do outro, 1971
A bagagem do viajante, 1973
As opiniões que o DL teve, 1974
Os apontamentos, 1976
Viagens
Viagem a Portugal, 1981

Teatro

A noite, 1979
Que farei com este livro?, 1980
A segunda vida de Francisco de Assis, 1987
In Nomine Dei, 1993
Don Giovanni ou O dissoluto absolvido, 2005

Contos

Objecto quase, 1978
Poética dos cinco sentidos - O ouvido, 1979
O conto da ilha desconhecida, 1997

Romance

Terra do pecado, 1947
Manual de pintura e caligrafia, 1977
Levantado do chão, 1980
Memorial do convento, 1982
O ano da morte de Ricardo Reis, 1984
A jangada de pedra, 1986
História do cerco de Lisboa, 1989
O Evangelho segundo Jesus Cristo, 1991
Ensaio sobre a cegueira, 1995
A bagagem do viajante, 1996
Cadernos de Lanzarote, 1997
Todos os nomes, 1997
A caverna, 2001
O homem duplicado, 2002
Ensaio sobre a lucidez, 2004
As intermitências da morte, 2005
As pequenas memórias, 2006
A Viagem do Elefante, 2008
O Caderno, 2009
Caim, 2009

Abs,

March 29 2010

Vamos pensar simples?



"Porque a mente é como um paraquedas, só funciona depois de aberta"
[Frank Zappa] Luzdeluma

abs,
Tags: Video Pensata

February 26 2010

Compaixão da Morte

Diversos jornais do mundo publicaram recentemente a notícia do apresentador britânico Ray Gosling, que confessou na TV ter matado por piedade seu amante em estado terminal. Gosling afirmou, em programa da BBC, que sufocou no hospital o namorado que sofria terríveis dores em decorrência do vírus HIV. Seu comportamento teve como motivação um pacto, selado por ambos, em que optaram pelo suicídio assistido como solução para o sofrimento insuportável. De acordo com os noticiários, o caso acordou a discussão no Reino Unido sobre eutanásia e suicídio assistido.

Como avaliar do ponto de vista da moral cristã a decisão de Gosling? Será que tal comportamento motivado pela compaixão se justifica? Para respondermos a tais questões, devemos entender, primeiramente, o significado de eutanásia. Do grego eu = bom, e thanatos, = morte, o termo eutanásia significa a "boa ou doce morte". Na encíclica O Evangelho da Vida, o Papa João Paulo II afirma o seguinte: "Por eutanásia, em sentido verdadeiro e próprio, deve-se entender uma ação ou uma omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte com o objetivo de eliminar o sofrimento".

O Papa vê nessa prática um dos sintomas da "cultura da morte" e denuncia o crescimento de uma mentalidade que marginaliza as pessoas idosas, deficientes e vulneráveis. A partir de critérios de eficiência e produtividade, essas vidas são consideradas descartáveis. Sendo assim, o melhor a fazer é eliminar tais pessoas, recorrendo a argumentos como respeito à autonomia e direito à morte.

No entanto, antes ainda de falar do direito à morte, temos de lutar para que o direito à vida já existente seja honrado, até porque muitas vezes esse maravilhoso dom é abreviado "antes do tempo", em escala social, por causa da violência, da pobreza, da falta de recursos socioeconômicos que garantam a todos o direito não só de viver, mas de viver com dignidade. É chocante, e até irônico, constatar que a mesma sociedade que nega o pão, o emprego, a saúde, a educação, pretenda oferecer, como prêmio de consolação, a mais alta tecnologia para "bem morrer".

A decisão tomada pelo apresentador britânico recai em um caso particular de eutanásia, ou seja, o suicídio assistido. Também na encíclica O Evangelho da Vida, o Papa esclarece que o suicídio, sob o perfil objetivo, é um ato gravemente imoral, "embora certos condicionamentos psicológicos, culturais e sociais possam levar uma pessoa a realizar um gesto que tão radicalmente contradiz a inclinação natural de cada um à vida, atenuando ou anulando a responsabilidade subjetiva".

A tradição da Igreja sempre recusou o suicídio como escolha gravemente má porque "comporta a recusa do amor por si mesmo e a renúncia aos deveres de justiça e caridade para com o próximo, com as várias comunidades (família, amigos, Igreja, trabalho etc.) de que se faz parte e com a sociedade no seu conjunto". E a sociedade, o que diz? Até agora, nada.

Sendo assim, o chamado suicídio assistido, ou seja, o compartilhamento da intenção de alguém suicidar-se, ajudando-o a realizar tal ato, significa "fazer-se colaborador e, por vezes, autor em primeira pessoa de uma injustiça que nunca pode ser justificada, nem sequer quando requerida".

A avaliação moral da eutanásia e do suicídio assistido deverá sempre considerar que a vida humana é inviolável, ainda que marcada pelo drama da dor e do sofrimento. Ninguém, por sua própria vontade, se dá o direito de vir à existência. A vida é dom - seja ele divino ou científico. Da mesma forma, ninguém tem o direito de matar quem quer que seja ou destruir sua própria vida. Além disso, devemos rejeitar toda e qualquer consideração utilitarista da vida humana.

Deve-se buscar sempre o verdadeiro motivo que leva alguém a pedir a morte. No fundo das várias solicitações de eutanásia e de suicídio assistido, existem profundas angústias, experiências de solidão, abandono e falta de solidariedade. O que a pessoa realmente necessita é de melhor assistência, tratamento personalizado, espiritualidade e muita ternura humana. A pessoa deve ser valorizada de modo integral, não só como um "corpo" doente, mas como pessoa, alguém que possui um nome, um rosto, uma história, uma dignidade a ser defendida e promovida. É fundamental que o cuidado integral em relação ao enfermo na fase terminal seja ainda mais humanizado.

Ao paciente que se encontra diante da morte iminente e inevitável e também àqueles que estão ao seu redor - sejam familiares, amigos ou profissionais de saúde - deve ser dada toda ajuda possível para que enfrentem com naturalidade a realidade dos fatos, encarando o fim da vida não como uma doença, para qual se deva achar a cura a todo custo, mas sim como condição que faz parte do nosso ciclo natural.

E você, o que faria?

abs,
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